
Santiago, o Apostolo
Tiago, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de João Evangelista, pescadores do mar da Galileia foram chamados por Jesus Cristo (Mateus, 4:21). Estes dois apóstolos, juntamente com Pedro, gozavam de uma especial confiança e relação com Jesus como discípulo básico destacando-se do resto do grupo, testemunhando os momentos importantes (Marcos, 9:2-8). Após a morte de Jesus, Santiago é parte integrante da formação da Igreja Primitiva vindo a pregar não só na Palestina mas também na Espanhas. Passou seis anos a pregar em Portugal e Espanha. No ano de 44 D.C., 12 anos após a ressurreição de Cristo, regressa à Palestina acompanhado dos seus discípulos Teodoro e Atanásio. Cumpre a tradição que foram celebrar a Páscoa em Jerusalém. Nesse retorno Tiago Maior é preso e decapitado por ordem de Herodes Agripa I (Actos 12:1-2). Santiago torna-se o primeiro apóstolo mártir. Conta-se que durante o caminho até a sua execução realiza dois milagres, a conversão e baptismo do guarda que o acompanhava, um fariseu chamado josías, e a cura de um paralítico.
Diz a lenda que seu corpo foi atirado as feras, porém seus discípulos, Teodoro e Atanásio, transladaram o corpo para o local onde ele havia pregado, numa viagem de 7 dias, numa barca sem leme nem velas, guiadas por um anjo, passando pela costa portuguesa, aportando na ria de Arosa, em Iria Flávia, actualmente conhecida como Padrón. Em seguida segue-se a viagem até Liberum Donum, local onde seria sepultado o apóstolo. O transporte fazia-se numa carroça puxada por uma junta de bois, que pela tradição, se dizem bravos. Os animais param três vezes ao longo do percurso. Estranhamente acontecem todas a poucos metros umas das outras. Os discípulos interpretaram com uma incumbência especial cada uma delas. No primeiro local seria a criação de uma capela, o segundo a edificação de uma fonte, e finalmente a terceira, o local onde está depositado o corpo e as relíquias de Santiago.
Pensa-se que as peregrinações ao túmulo começaram quase imediatamente, bem como as perseguições ordenadas pelo Imperador Vespesiano, acabando por proibir o culto Jacobeu, provocando um esquecimento letárgico.
No ano de 814, Pelaio, um ermita de um bosque de Carvalhos próximo de San Félix de Solovio, seguindo uma revelação que tivera durante o sono, em que anjos adoravam uma arca, descobriu um túmulo contendo umas relíquias. Pelaio corre a contar a sua revelação ao Bispo de Iria Flávia, Teodomiro. O bispo dirigiu-se ao bosque sagrado do ermitão, e tentou atingir o estado semelhante ao do ermita, jejuando 3 dias. Teodomiro, penetrou no bosque e identificou uma capela contendo três campas. Esta foi de imediato associada ao culto Jacobeu, acreditando ser o sepulcro de Santiago e dos seus dois discípulos. Afonso II das Astúrias foi o primeiro peregrino deste novo ciclo de culto a Santiago.
Sobre este local foi erguida a Catedral de Santiago de Compostela.
De acordo com as tradições históricas associadas a história da reconquista cristã, Santiago teria aparecido, pela primeira vez, miraculosamente na Batalha de Clavijo, em 844. Montado num cavalo branco, erguendo um estandarte da mesma cor com cruz vermelha gravada em sua mão, percorre o campo de batalha decepando os mouros com a espada que lhe dará nome. Desde então a designação Santiago Matamoros torna-se popular. Comummente também existem referências ao nome Santiago da Espada.
Entretanto dá-se a investida muçulmana de Al-Mansour, que entrou na catedral destruída, deu de beber ao seu cavalo na pia baptismal.
Sancho III de Navarra, no século XI determina um percurso de peregrinação que se irá manter até aos nossos dias. No final do mesmo século o rei de Leão Afonso VI, cria um sistema de assistência aos peregrinos com instalação de abrigos, e incentivou a fundação de ordens militares destinadas a protecção dos peregrinos.
Santiago torna-se uma das três peregrinações da Cristandade, juntamente com Roma e Jerusalém.
As três Faces
Curiosamente Santiago é representado, iconograficamente, de três maneiras. Como Apóstolo, como Peregrino e como Cavaleiro ou Matamoiros.
A primeira não é mais do que a comum representação de todos os apóstolos, como um dos pilares da Igreja. A segunda trata-se da imagem de Santiago representado com o bordão que sustenta e apoia o peregrino na caminhada, a cabaça fonte de água e sabedoria juntamente com a vieira, representação simbólica do apóstolo. Finalmente, na terceira representação Tiago Maior, é representado montado num cavalo branco, envergando um veste branca, cor do seu estandarte onde se destaca a espada em forma de cruz, bem como, uma espada erguida contra os infiéis.
O Culto
A Igreja Romana celebra no dia de 25 de Julho o dia de Santiago, enquanto que por sua vez a Igreja Ortodoxa celebra a 30 de Abril e a Igreja Copta a 12 de Abril.
em www.mestradodaviz.blogspot.com
5 comentários:
O Dia de Santiago é 25 de Julho, mas infelizmente não foi possível colocar esta homenagem no dia de ontem.
Caro amigo:
Conhece um dos prováveis locais da Batalha de Ourique pertinho de Tomar?
Chão de Ourique, concelho de Penela, será em principio um forte candidato!!
Bom trabalho!!!
Caro Palumbar:
Grato pela dica.
A localização da batalha de Ourique será sempre um mistério, independente das provas que cada facção apresentar.
Sinceramente acredito que a hipótese de Ourique no Alentejo será a mais remota.
Contudo deveremos ponderar locais como Chã d´Ourique, ou Vila Chã de Ourique no Cartaxo, para além de Campo de Ourique em Lisboa.
Chão de Ourique (Penela) tem ainda outras curiosidades, tais como, fica nas imediações (500metros) da estrada romana Braga - Lisboa (a primeira "Estrada Nacional 1") e está situada a meros 3km da zona onde ocorreu o Fossado de Ladeia (que certamente conhece).
Aquilo que falta realmente é uma investigação arqueológica nesta área que comprove ou não que foi aqui que se desenrolou a dita batalha. Penso que o melhor método seria usar detectores de metais.
Infelizmente em Portugal toda a arqueologia é praticamente canalizada para a época romana. Um dos modos para tentar detectar se houve batalha ou não seria detecção de metais e não só. Cada vez mais a arqueologia recorre a técnicas complementares, como por exemplo a radiestesia.
Sinceramente a localização da batalha de Ourique será sempre um mito, poderemos provar onde existiu batalha, mas nunca exactamente a batalha que ocorreu.
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